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Habitação Coletiva - SOL NASCENTE 2

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Unidades Habitacionais Coletivas

 

Sol Nascente, DF – 2017

 

Implantar um grande conjunto habitacional na periferia de uma metrópole brasileira é um problema complexo cuja solução passa pelo entendimento não só do contexto local mas também da realidade nacional no que diz respeito aos programas de habitação social.

 

A repetição exagerada de módulos idênticos, a monotonia, a paisagem massificada, a uniformidade na morfologia e a carência de identidade arquitetônica são apenas algumas das questões que levadas em conta quando tratamos desse tipo de programa, comum no contexto periférico das nossas cidades.

 

Não se inventa a cidade a partir do nada. É preciso compreender que a vitalidade urbana que desejamos dependerá não só da maneira como desenhamos a arquitetura e a cidade, mas principalmente da maneira como permitimos em nossos planos  a apropriação futura dos espaços pelas pessoas.

 

Projetamos espaços, mas queremos que eles se tornem lugares.

 

A presente proposta sugere algumas estratégias para lidar com os problemas expostos acima. Entre os critérios que orientam essas estratégias, podemos destacar:

 

1 – Adoção da variabilidade no gabarito das edificações, de modo a gerar variação morfológica.

 

2 – Implantação de usos comerciais no perímetro das quadras de modo a gerar fachadas ativas.

 

3 – Proposição de diferentes tipos de unidade habitacional que possam abrigar diferentes tipos de famílias.

Além dessas medidas, pretende-se evitar a utilização de subsolos que tornariam o custos de construção elevados para esse tipo de empreendimento. Dessa forma, propõe-se a construção de um térreo com usos mistos: comércios, áreas de lazer e garagem, esta última diluída e fragmentada, de modo a   gerar um impacto menor que uma única grande área de estacionamento.

Um terraço ajardinado na cobertura do edifício central ao conjunto tem a intenção de incrementar os espaços de lazer. Nessa área de lazer condominial, além do espaço de convívio, propõe-se uma horta que pode ser administrada pelo coletivo dos moradores de cada bloco.

 

O comércio proposto junto às calçadas pretende ativar os usos dos espaços públicos circundantes. A mesma estratégia foi adotada para a praça que ocorre entre os blocos. Nesse trecho, o tratamento paisagístico, em conjunto com o uso comercial, qualifica as relações espaciais e potencializa o uso da rua pelos cidadãos. Mesmo nos trechos de terreno com maiores declives, o comércio acompanha o nível da calçada variando seu pé-direito, qualificando, além do espaço da rua, as próprias lojas, com possibilidades ampliadas de exposição e armazenagem de produtos.

 

O desenho dos apartamentos permite, com pequenas reformas, atender à norma de acessibilidade NBR9050. Evitou-se, por       exemplo, a necessidade de quebras de parede para a adaptação das unidades. A instalação de barras de apoio e inversão da abertura das portas já permite o acesso às instalações sanitárias. As circulações e espaços internos do apartamento também atendem tanto às normas de acessibilidade quanto as diretrizes do programa Minha Casa Minha Vida.

 

Sistemas construtivos

 

Para responder às necessidades espaciais do edifício habitacional adotaram-se dois sistemas estruturais que se complementam. Os pilotis e o embasamento são resolvidos com o uso do concreto armado convencional constituindo uma mesa (pilotis e laje de primeiro pavimento).

Sobre essa mesa de estrutura em concreto convencional apoia-se um segundo sistema construtivo: a alvenaria estrutural. Essa articulação de processos construtivos mostra-se econômica para execução de edifícios com térreo e até três pavimentos, pois permite vencer os vãos do térreo adequadamente – lojas e garagens – e, ao mesmo tempo, apresenta facilidade na execução.

No sistema descrito acima, uma vez concluídos os componentes estruturais, as vedações estarão concretizadas.  Como sequência lógica do processo construtivo, seguem-se os acabamentos, esquadrias, impermeabilizações e pinturas necessárias.

 

Conforto ambiental e desempenho

 

Como trata-se de uma edificação para       habitação de interesse social, foram pensados, prioritariamente, sistemas com baixo custo de manutenção e estratégias passivas de conforto ambiental.

Entre as estratégias de conforto possíveis pretende-se adotar, entre outros:

– Ventilação cruzada: Mantendo-se as circulações horizontais abertas é possível realizar a circulação de ar cruzada entre as janelas altas propostas nas cozinhas/lavanderias e as fachadas externas.

 

– Sombreamento das fachadas: Os planos envidraçados, sempre que possível, estão  recuados em relação ao plano principal da fachada. As aberturas são protegidas por brises em concreto constituídos no prolongamento das lajes. Além  desse recurso, venezianas móveis permitem que o morador ajuste o sombreamento conforme a incidência solar em cada apartamento. Trata-se de um recurso simples e útil, especialmente nos meses mais quentes e no período da tarde.

Sistema complementares:

 

– Captação de água da chuva: A construção de reservatórios de armazenagem de águas pluviais enterrados permite a economia de custo condominial, utilizando essa reserva de recurso para irrigação e limpeza das áreas comuns.

 

– Coletores solares: A instalação de painéis coletores solares para aquecimento d’água nas coberturas permite economia significativa de energia.

 

– Medidores individuais de consumo: Sistemas de distribuição e medição individualizados permitem que cada morador tenha controle sobre o consumo de recursos como água, energia elétrica e gás. Em geral essa medida representa redução dos custos condominiais e também do consumo geral de recursos naturais.

 

Autores:

Emerson Vidigal, Eron Costin, Fabio Henrique Faria, João Gabriel Rosa, Martin Kaufer Goic

Colaboradores: 

Astrid Harumi Bueno, Felipe Sanquetta, Leonardo Venâncio, Marcelo Miotto, Mariana Steiner Gusmão

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