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SETOR HABITACIONAL PÔR-DO-SOL EM CEILÂNDIA - DF

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PROJETO DE URBANISMO E ARQUITETURA – SETOR HABITACIONAL PÔR DO SOL

Ceilândia, DF – 2017

Entender o limite entre a cidade e a natureza, compreender a ideia de fronteira. Construir um bairro como uma frente urbana. Projetar para as pessoas criando modelos e paradigmas que nos façam refletir sobre a vida nas cidades.

Projetar um bairro é um trabalho que transcende a prática da arquitetura, do urbanismo e do paisagismo. É um exercício de entendimento das pré-existências, dos problemas urbanos e da busca de respostas que lidem com a simplicidade e a complexidade, que sejam fortes e flexíveis ao mesmo tempo.

Essas respostas dadas aos problemas cotidianos são colocadas num projeto dessa natureza como possibilidades de debate com a sociedade, seja ela representada pelo poder público, pelas instituições, pelas comunidades locais, e em última instância pelos cidadãos em sua representação mais ampla possível. É um exercício coletivo e se constrói aos poucos, assim como a casa das pessoas, que mesmo podendo ter o mesmo projeto arquitetônico, se torna diferente ao longo dos anos.

O Projeto de Arquitetura e Urbanismo para o Setor Habitacional Pôr-do-Sol configura-se como uma oportunidade para refletir sobre a cidade e sobre como podemos construir espaços para viver, habitar, trabalhar, descansar e ter lazer. Desenhar espaços que sejam lugares de abrigo, de encontro, de contemplação e fruição da vida urbana. Respeitando e gerando diferenças entre as soluções arquitetônicas e urbanísticas que no futuro sejam também parte da identidade de um novo local.

O entorno da área destinada ao projeto do Setor Habitacional Pôr-do-Sol em Ceilândia-DF é caracterizado por uma problemática urbana específica. Entre vários aspectos podemos destacar: a homogeneidade do traçado urbano, a monotonia da paisagem, a carência de referenciais urbanos simbólicos e a baixa qualidade das edificações.

Num contexto como esse, temos uma paisagem na qual os espaços livres das ruas são aprisionados pela continuidade dos muros e das grades. A regularidade de traçado, refletida na geometria rigorosa das quadras existentes reforça esses aspectos.

Mesmo nos trechos não planejados, fruto da ocupação desordenada, características como monotonia, carência de desenho urbano e insegurança para os pedestres se refletem na qualidade dos espaços públicos.

Desenhar a cidade numa situação geográfica como a descrita acima significa entender a necessidade de lidar com a fronteira do tecido urbano no inexato limite em que ele se encontra com a natureza. É preciso então pensar uma frente urbana, qualificar os espaços públicos, construir a noção de vizinhança e entender as pequenas centralidades.

Da leitura do contexto descrito acima, a proposta sugere as seguintes considerações:

– Entendimento da necessidade de uma identidade própria para o novo bairro, a construção da ideia de lugar dentro da geografia da cidade.

– Proposição de espaços livres públicos que reforcem essa noção de identificação e diferenciação do bairro em relação aos espaços vizinhos.

– Interpretação da continuidade do sistema viário da cidade e do traçado do interceptor de esgoto como oportunidades de projeto.

Dessas diretrizes decorrem as seguintes estratégias de projeto:

  • Proposição de uma rua central de pedestres como elemento estruturador do partido da intervenção. Seu traçado se sobrepõe ao interceptor de esgoto e gera conexões entre os espaços livres e os lotes de uso misto contíguos. Trata-se do principal elemento de identificação e diferenciação.
  • Proposição de ruas transversais à via peatonal – vias de circulação de vizinhança – que conectem o novo setor aos bairros situados à nordeste da intervenção. Nessas vias são propostos usos mistos com preferência para térreos comerciais.
  • Implantação de um parque que faça a transição entre a frente urbana criada pelo novo bairro e a ARIE JK. Além da geração de áreas de lazer, esse parque tem a função de recuar a Via Parque da borda do empreendimento, reduzindo assim o risco de ocupações irregulares junto à divisa da área de preservação ambiental.
  • Adoção de um modelo de quadra que promova a existência de áreas de lazer e brincadeiras infantis no espaço público central a um grupo de blocos. Além de construir a noção de vizinhança, esses lugares tem a escala adequada para incentivar o convívio entre moradores próximos.
  • Distribuição de equipamentos e instituições públicas como escolas, centro comunitário e unidade de saúde em posições estratégicas próximas ao transporte coletivo e em distâncias confortáveis ao percurso peatonal dos moradores.

Habitação

Os edifícios cuja destinação principal será a habitação foram pensados de maneira a gerar diversidade na paisagem urbana.

A diversidade é entendida aqui sob diversos aspectos. O primeiro deles é o morfológico: a variação de escalas e números de pavimentos – além de permitir variação de densidades – promove diferentes leituras do conjunto a partir dos espaços públicos. Essa variação também organiza as hierarquias das vias e dos espaços de convívio. Edifícios com mais pavimentos estão posicionados nas vias principais e construções mais baixas em vias secundárias.

Outro aspecto importante na diversificação da paisagem é a proposição dos usos mistos, especialmente no térreo. No sistema viário principal são propostos então: comércio, lazer, convívio e habitação. A ideia é potencializar fachadas ativas para a via pública, incrementando a vitalidade urbana através da relação espaço público-privado, interior-exterior.

Os agrupamentos de edifícios habitacionais de diferentes escalas organizam também a noção de vizinhança. No centro de cada conjunto de edifícios composto por unidades de: 4 pavimentos, 3 pavimentos, casas sobrepostas e casas térreas, configura-se um espaço de lazer que pode ser composto de playground, gramado, horta comunitária, estacionamento, entre outros usos. Essa área é espaço público e parte do sistema viário.

Autores 

Emerson Vidigal, Eron Costin, Fabio Henrique Faria, João Gabriel Rosa, Martin Kaufer Goic

Colaboradores 

Daniela Moro, Gabriel Tomich, Matheus Fernandes Santana

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